Documentos judiciais revelam que cúpula do TikTok ignorou alertas sobre exploração infantil

Documentos judiciais revelam que cúpula do TikTok ignorou alertas sobre exploração infantil

Reprodução/Solen Feyissa/Unsplash

Documentos judiciais divulgados nos Estados Unidos revelam que a cúpula do TikTok foi alertada repetidamente por funcionários sobre riscos de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes na plataforma, mas não adotou medidas consideradas suficientes. Os registros, revelados inicialmente por uma emissora pública americana, fazem parte de depoimentos de ex-colaboradores apresentados à Justiça em março de 2026, no âmbito de processos que responsabilizam grandes redes sociais por danos a menores de idade.

O centro das atenções nos relatórios é o recurso de transmissões ao vivo da plataforma, conhecido como TikTok Live. Segundo os depoimentos, menores apareciam em conteúdos de natureza sexual e recebiam pagamentos de espectadores por meio de presentes virtuais conversíveis em dinheiro. Como a empresa retinha uma porcentagem dessas transações, questionamentos sobre um suposto benefício financeiro decorrente da exploração de jovens foram levantados pelas equipes de investigação interna.

Negligência interna e falhas nas barreiras de proteção

Reagen Maher, ex-líder das equipes de segurança e investigação da empresa entre 2021 e 2024, relatou ter passado meses tentando convencer os executivos a agir contra a exploração de menores. Uma auditoria interna citada nos autos identificou 112 mil transmissões ao vivo com a presença de crianças e adolescentes de 13 a 15 anos somente em janeiro de 2022, evidenciando riscos severos de aliciamento e produção de material impróprio, mesmo que nem todas as lives tivessem cunho sexual explícito.

Além das transmissões, os documentos apontam vulnerabilidades técnicas conhecidas pela liderança. Menores conseguiam burlar restrições de idade utilizando credenciais de outras plataformas, como Google, Facebook e Instagram. Outra falha envolvia a ferramenta de supervisão parental Family Pairing, que continha um link oculto permitindo aos jovens desvincular suas contas do controle dos responsáveis. Procurada para comentar o caso, a empresa contestou a interpretação dos documentos, argumentando que as acusações foram selecionadas de forma parcial por advogados envolvidos nas disputas judiciais.

Esta matéria foi produzida com apoio de inteligência artificial e revisada por um jornalista antes da publicação.