El Niño altera a cor do oceano e ameaça a vida marinha

El Niño altera a cor do oceano e ameaça a vida marinha

Imagem: nzalexgilbert/Shutterstock

Registros capturados por satélites da agência espacial norte-americana indicam que extensas áreas do Oceano Pacífico sofreram uma mudança drástica de tonalidade entre 2025 e 2026, migrando de nuances esverdeadas para um azul profundo. De acordo com pesquisadores, a alteração cromática está diretamente associada aos impactos do El Niño, evento climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas oceânicas. O monitoramento foi realizado por meio do instrumento Ocean Color Instrument, integrado ao satélite PACE, desenvolvido especificamente para analisar variações na luz visível e mapear a distribuição de organismos microscópicos.

Especialistas apontam que o evento atual tem potencial para se consolidar como o El Niño mais intenso já documentado, com marcas térmicas no Pacífico tropical registrando cerca de 4 °C acima da média histórica. Na região equatorial do oceano, a coloração verde predominante costuma ser ditada pela presença de espécies de fitoplâncton ricas em clorofila. Esses micro-organismos fotossintéticos dependem de águas frias e do fluxo ascendente de nutrientes vindos de zonas profundas, processo que acaba sufocado pelo aquecimento superficial promovido pelo fenômeno climático.

Impactos na cadeia alimentar e na pesca

A retração drástica na população de fitoplâncton desencadeia um efeito cascata em diversos níveis da teia alimentar oceânica. Espécies que dependem diretamente desses micro-organismos para a sobrevivência, como o krill, o zooplâncton e diversos moluscos filtradores, enfrentam escassez de recursos nutritivos, o que compromete o suporte vital para predadores de maior porte. Relatórios do setor indicam que embarcações pesqueiras comerciais na costa pacífica da América Latina têm apresentado capturas reduzidas, enquanto cardumes de espécies economicamente relevantes, a exemplo de atuns e anchovas, buscam refúgio em faixas térmicas mais baixas.

Esta matéria foi produzida com apoio de inteligência artificial e revisada por um jornalista antes da publicação.