Partículas de Chernobyl mantêm combustível nuclear intacto após 40 anos

Partículas de Chernobyl mantêm combustível nuclear intacto após 40 anos

(Imagem: Kateryna Upit/Shutterstock)

Quatro décadas após o acidente nuclear de Chernobyl, partículas microscópicas expelidas pelo reator destruído continuam preservando grande parte da estrutura original do combustível nuclear. A descoberta surpreendeu pesquisadores da Universidade Leibniz de Hannover, na Alemanha, que identificaram uma estabilidade química maior do que a esperada em seis fragmentos radioativos analisados recentemente.

Os resultados obtidos pelo grupo ajudam a compreender como os resíduos do desastre se transformam ao longo do tempo e a avaliar os riscos ambientais associados à contaminação radioativa. A descoberta, contudo, não significa que a região esteja segura, já que o material permanece perigoso, exigindo investigações mais abrangentes conforme apontado em relatórios científicos.

Análise de fragmentos e categorias

Os fragmentos coletados na Zona de Exclusão de Chernobyl medem entre 8 e 50 micrômetros e foram divididos em três categorias distintas, considerando as transformações decorrentes das condições extremas do reator em 1986. A primeira classe reúne partículas que continuam química e fisicamente semelhantes ao combustível original de dióxido de urânio.

A segunda categoria engloba materiais parcialmente ou totalmente envolvidos por uma camada protetora de zircônio, fundida durante as altas temperaturas do desastre. Já a terceira classe formou-se devido ao incêndio do grafite, que durou dez dias e provocou a oxidação do combustível, gerando novos compostos de urânio e alterando a velocidade de degradação ambiental.

Estrutura cristalina preservada

Para investigar o estado atual do material, os cientistas utilizaram a técnica de difração de raios X, analisando a estrutura cristalina a partir da interação com a radiação. O procedimento demonstrou que a estrutura básica do combustível permaneceu praticamente intacta ao longo das últimas quatro décadas, influenciando diretamente a liberação gradual de elementos radioativos no ecossistema local.

Esta matéria foi produzida com apoio de inteligência artificial e revisada por um jornalista antes da publicação.