Cães de raças grandes podem envelhecer de forma mais acelerada devido à perda gradual do controle sobre trechos específicos do DNA conhecidos popularmente como “genes saltadores”. É o que aponta uma pesquisa científica publicada recentemente na revista Science. O estudo avaliou o perfil genético de 864 animais e constatou uma redução mais rápida nas marcas químicas responsáveis por regular esses elementos genéticos justamente nos exemplares de maior porte.
O achado científico pode ajudar especialistas a compreender os motivos biológicos que fazem com que cães gigantes apresentem uma expectativa de vida inferior à de raças menores. Como os animais de estimação compartilham o mesmo ambiente e diversas condições de saúde com os seres humanos, a investigação de seus processos de envelhecimento também oferece paralelos importantes para a medicina voltada às pessoas.
O papel dos elementos transponíveis no genoma
Os chamados genes saltadores correspondem a elementos transponíveis, que consistem em pedaços de DNA capazes de duplicar a si mesmos e reinserir essas cópias em outras áreas do genoma. O foco principal da investigação científica recaiu sobre uma classe específica desses componentes, identificada como LINE1. O organismo regula a atividade desses trechos genéticos por meio de um mecanismo químico chamado metilação, que altera a expressão sem modificar a sequência original do DNA.
Com o avanço da idade, parte dessas marcas regulatórias acaba se perdendo, o que enfraquece o controle biológico sobre os elementos LINE1. Quando esses trechos se tornam excessivamente ativos, cientistas os associam a danos na estrutura do DNA, desenvolvimento de câncer e outras patologias associadas ao envelhecimento. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo levantamento, a regulação epigenética desses elementos se mostra crucial para definir a velocidade com que cada animal envelhece.
Diferenças entre raças e o impacto na longevidade
As informações utilizadas pela equipe científica foram extraídas do Dog Aging Project, uma iniciativa de longo prazo que monitora a saúde e a longevidade de cães. Os cientistas constataram a perda de metilação relacionada à idade em mais de 40% das regiões genômicas ligadas aos LINE1. Essa perda ocorreu de maneira mais intensa nos animais de grande porte, que apresentaram, em média, uma velocidade de redução dessas marcas químicas cerca de 35% superior por ano em comparação com raças de pequeno porte.
Os autores do estudo ressaltam que o percentual diz respeito à taxa de desaparecimento das marcas químicas e não a uma diminuição proporcional direta na expectativa de vida. Os dados também evidenciaram variações distintas entre machos e fêmeas, especialmente no cromossomo X, abrindo novas frentes para investigações futuras sobre o envelhecimento animal e humano.
Esta matéria foi produzida com apoio de inteligência artificial e revisada por um jornalista antes da publicação.

