Apesar da expansão contínua da frota de veículos elétricos, parte expressiva dos motoristas ainda mantém dúvidas sobre como essa tecnologia se compara aos motores tradicionais abastecidos com gasolina, etanol ou diesel. A familiaridade de mais de um século com sistemas a combustão faz com que as particularidades e os benefícios mecânicos da propulsão elétrica passem despercebidos pelo público geral.

Como funciona a mecânica de um carro elétrico

O conjunto motriz de um veículo elétrico possui uma dinâmica operacional simplificada em comparação aos motores térmicos. Nele, a bateria transfere eletricidade para um inversor, componente responsável por regular o fluxo de corrente enviado ao motor. Em seguida, a energia elétrica é transformada diretamente em rotação mecânica, direcionada às rodas.

Esse arranjo elimina conjuntos inteiros de componentes móveis indispensáveis aos sistemas a combustão, tais como pistões, bielas, válvulas, velas e as redes de injeção e escape. A diminuição expressiva de peças sob atrito não apenas minimiza a demanda por manutenção periódica, como viabiliza uma resposta muito mais ágil aos toques no acelerador.

Os três principais tipos de motores elétricos

Engana-se quem acredita que a tecnologia de tração seja uniforme entre os diferentes modelos disponíveis no mercado automotivo. Atualmente, destacam-se três arquiteturas principais:

  • Motor Síncrono de Ímã Permanente (PMSM): configuração mais popular no setor, equipada com ímãs no rotor. Caracteriza-se pela elevada eficiência energética e densidade de potência, sendo indicada frequentemente para projetos voltados ao alto desempenho.
  • Motor de Indução Trifásico (AC): também reconhecido como assíncrono, dispensa o uso de ímãs permanentes. A geração do campo magnético ocorre por meio da corrente elétrica conduzida pelas bobinas alojadas no estator.
  • Motor de Relutância Comutada (SRM): modelo capaz de entregar grande potência com custos reduzidos de fabricação. Apesar do potencial, sua aplicação em automóveis ainda é restrita, em razão de complexidades no controle, ruído acentuado em rotações elevadas e desafios na cadeia produtiva.

Eficiência energética e entrega imediata de força

O aproveitamento da energia é um dos pontos cruciais que distanciam as duas tecnologias. Em blocos a combustão, frações consideráveis do poder calorífico do combustível são dissipadas como calor. Já os motores elétricos aproveitam a maior parte da energia da bateria diretamente para o deslocamento do veículo. Outro recurso integrado é a frenagem regenerativa, que recarrega parte da carga da bateria durante desacelerações.

A propulsão elétrica também disponibiliza seu torque total de forma instantânea, eliminando a exigência de elevar as rotações por minuto (RPM) para alcançar o pico de força. Isso proporciona acelerações silenciosas, lineares e respostas previsíveis para o condutor, benefícios que se estendem desde veículos compactos de uso urbano até modelos esportivos.

Fonte: Canaltech — ver matéria original